Placa bacteriana pode agravar casos de câncer

A placa dental bacteriana é formada por um filme de bactérias que recobre as superfícies dos dentes, incluindo os espaços entre os dentes e a gengiva. Ela leva à formação de cárie dentária e inflamação gengival e tem sido vinculada a problemas de saúde sistêmica.

Segundo um estudo publicado em 2011 no periódico online BMJ, pesquisadores queriam descobrir se a placa bacteriana poderia ser um fator de risco de morte prematura por câncer devido à infecção e inflamação, que são suspeitas de ter participação em um em cada cinco casos de cânceres.

Com esse objetivo, eles acompanharam a saúde de cerca de 1400 adultos suecos de Estocolmo selecionados aleatoriamente durante 24 anos (1985-2009). Os participantes estavam na terceira ou quarta década de vida no início do período de monitoramento e foram questionados sobre fatores de risco prováveis de aumentar seu risco de câncer, por exemplo, tabagismo e classe social.

A higiene bucal dos participantes também foi avaliada para investigar os níveis de placa dental bacteriana, cálculo, doença gengival e perda dos dentes. Embora não tivessem doença gengival presente, os participantes tinham níveis substanciais de placa bacteriana na superfície dental.

Até 2009, 58 pessoas haviam morrido de câncer – cerca de um terço das quais eram mulheres (35,6%). A idade média da morte foi 61 anos para as mulheres e 60 para os homens. As mulheres tinham expectativa de viver 13 anos a mais, e os homens 8,5 anos a mais, portanto, suas mortes puderam ser consideradas prematuras, dizem os autores do estudo “A Associação da Placa dental bacteriana com Mortalidade por Câncer na Suécia: um Estudo Longitudinal”.

As mortes entre as mulheres foram causadas predominantemente por câncer de mama, enquanto entre os homens foram atribuídas a uma gama de diferentes cânceres. O índice de placa dental bacteriana naqueles que morreram era mais alto do que naqueles que sobreviveram, com valores de 0,84 a 0,91 – indicando que a área da gengiva dos dentes estava coberta por placa. Os valores entre os sobreviventes foram consistentemente mais baixos (0,66 a 0,67) – indicando que a área da gengiva estava coberta apenas parcialmente por placa.

Quando todos os fatores de risco foram considerados, a idade quase dobrava o risco de uma morte por câncer. O sexo masculino aumentou as probabilidades em 90%.

Depois que os outros potenciais fatores de risco, sabidamente associados com morte prematura – como baixo nível de escolaridade, tabagismo, frequência de consultas odontológicas e baixa renda – foram considerados, as associações observadas entre idade, sexo masculino, quantidade de placa dental bacteriana e morte prematura permaneceram fortes.

A placa dental bacteriana estava associada a um risco significativamente aumentado (79%) de morte prematura, embora o risco absoluto de morte prematura fosse baixo, com apenas 58 entre os 1390 participantes morrendo depois de 24 anos.

Entretanto, os autores alertam que seus achados não provam que a placa dental bacteriana cause ou contribua definitivamente com o câncer.

“Nossa hipótese de estudo foi confirmada pelo achado de que a má higiene bucal, refletida na quantidade de placa dental bacteriana, estava associada com o aumento da mortalidade por câncer”.

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